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sábado, 20 de março de 2010

Quaresma 2010: Decálogo para uma Quaresma Sacerdotal




Decálogo para uma Quaresma Sacerdotal


1. Abramos com mais frequência nossos templos – Isso nos levará a rezar mais e a estar mais disponíveis e visíveis à comunidade de fiéis. Coloquemos à disposição dos fiéis algum subsídio com diversas orações (visita ao Santíssimo, Via-Sacra, orações marianas, etc).

2. Facilitemos o Sacramento da Penitência – Indiquemos em nossas celebrações que “uma boa confissão leva à paz do coração e de si mesmo”.

3. Estimulemos a oração das laudes ou das vésperas comunitárias – Os salmos ajudarão a descubrir a oração contemplativa, a oração de petição ou de confiança.

4. Visitemos ou iniciemos a visita aos enfermos – Nos fará compreender e contemplar a outra face doente de nosso rebanho: a dor, a solidão, as lágrimas ou a cruz. Intensifiquemos a oração do rosário meditado pelos enfermos, hospitalizados, familiares, médicos, etc.

5. Preparemos a homilia de cada dia – Facilitemos, entre outras coisas, a leitura da Palavra de Deus, sua reflexão e o seu colocar em prática. Não esqueçamos os cantos próprios deste tempo: “Atende Domine; Perdoa o teu povo; Vitória, Tu reinarás; Hoje volto de longe”.

6. Proponhamos a nossas paróquias uma série de palestras quaresmais – Palestras destinadas a uma preparação para uma vivência profunda da Páscoa.

7. Estimulemos a Adoração ao Santíssimo – Não necesariamente em comunidade. Insistamos na oração pelas vocações sacerdotais, consagradas e de santos matrimônios.

8. Animemos nossas comunidades cristãs a um projeto caritativo em favor dos pobres: uma quaresma sem caridade não é um caminho correto até a Semana Santa.

9. Realizemos, onde seja possível, uns exercícios espirituais com nossas paróquias. Um dia na semana ou três dias seguidos com três reflexões sobre o Triduo Pascal. Recordemos que as sextas-feiras são dias muito apropriados para a oração da via sacra.

10. Cuidemos com esmero dos lugares celebrativos: a cor, a ausência de flores, uma cruz grande colocada no presbitério, uma imagem da Virgem dolorosa, uma oração para recitar cada dia ao final da eucaristía, por exemplo: “Não me move meu Deus para querer-te”.


Padre Javier Leoz
Site Javier Leoz

sábado, 13 de março de 2010

Ano Sacerdotal: Valorizar a grandeza da vocação sacerdotal - Cardeal Odilo Scherer



Valorizar a grandeza da vocação sacerdotal, convida Arcebispo

Cardeal Odilo Scherer pede oração e colaboração com os padres

SÃO PAULO, quinta-feira, 11 de março de 2010 ( ZENIT.org) - O Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer, afirma que o Ano Sacerdotal vivido pela Igreja é uma “oportunidade especial” para que “o próprio padre e a comunidade dos fiéis redescubram a verdadeira identidade do sacerdócio, a grandeza da vocação sacerdotal e a importância do serviço dos padres para a vida da Igreja”.

“Sem os padres, a Igreja não vive. A natureza própria da Igreja Católica inclui o ministro ordenado, como presença sacramental de Jesus Cristo à frente e no meio da comunidade dos fiéis. A Igreja é mais que uma simples organização humana, uma vez que ela também é obra da graça de Deus e da ação do Espírito Santo. Ela é um mistério humano-divino e, se quisermos entendê-la bem, nunca devemos esquecer nem separar esta sua dupla dimensão.

“É também nesta realidade humano-divina da Igreja que devemos entender a figura do sacerdote; sendo humano como todos os seus irmãos, ele, no entanto, foi chamado por Deus e colocado à frente da comunidade dos fiéis para representar Cristo, bom Pastor e Cabeça do corpo; em nome de Cristo e com seu poder, ele serve e santifica o povo, que não pertence a ele, mas a Deus.

O sacerdote está a serviço dos homens nas coisas que são de Deus. Por isso, dizemos que ele representa sacramentalmente Jesus Cristo diante da Igreja e, em nome de Cristo, desempenha sua missão na Igreja.

Sem esta relação com Cristo e a Igreja, não se compreende bem a figura do padre e se corre o risco de ver nele um funcionário de coisas (“negócios”) religiosas, um mago que “mexe” com coisas sagradas, ou um simples agente de serviços sociais.

O padre permanece humano e sujeito a todas as fraquezas da condição humana; por isso, deve valorizar suas boas qualidades e capacidades humanas, para melhor colocá-las a serviço do dom divino que recebeu pela vocação e a ordenação sacerdotal.

Ele deve andar no caminho da santidade e os defeitos e fraquezas humanas não devem ofuscar a grandeza do dom que recebeu, não por mérito seu, mas por graça e bondade de Deus; não para a própria vaidade, mas para servir ao reino de Deus e para o bem dos irmãos.

Por isso, o padre também é chamado a exercitar-se na prática das virtudes e na ascese, para a sujeitar as fraquezas humanas à lei da graça e da santidade de Deus. No união profunda com Deus e na sintonia constante com a sua vontade encontrará sua força.

Infelizmente, em nossos dias, a imagem verdadeira e bonita do sacerdócio fica frequentemente ofuscada pela difusão de notícias sobre fraquezas humanas de sacerdotes. E também aparecem falsários, que usurpam as funções sacerdotais e enganam o povo, exploram comercialmente a fé e colocam em descrédito o serviço dos sacerdotes da Igreja.

Tudo faz sofrer os padres, que nada devem e procuram viver dignamente o sacerdócio; mas tenho a certeza de que a Providência de Deus fará com que esse sofrimento seja purificador.

Longe de ‘destruir o sacerdócio’, esse sofrimento fará com que ele volte a emergir em toda a sua grandeza e beleza; assim também voltará a atrair mais jovens bem dispostos a se consagrarem inteiramente ao sacerdócio de Cristo no serviço da Igreja e da humanidade”.

O Cardeal Scherer cita São João Maria Vianney, proclamado por Bento XVI como Padroeiro de todos os padres, que dizia: “quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre”.

“A oração pelos padres, diáconos e seminaristas, junto com o apoio e a colaboração com eles, reverterão na vitalidade das comunidades da Igreja e em abundantes frutos na missão da Igreja”, afirma o Arcebispo.


Cardeal Odilo Scherer
Arcebispo de São Paulo

Ano Sacerdotal: Sacerdote, homem de oração



Homem de Oração

O Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, em sua vida terrena, ia frequentemente ao Pai e voltava ao povo, retirava-se para orar e voltava para servir o povo. O Evangelho de Lucas mostra Jesus como o novo Elias, como homem de oração que se retira da massa das multidões e dos rivais, sobe à montanha, lugar do encontro com Deus (1Rs 19) e passa a noite em oração (Lc 5,16; 6,12; 9,28). A Carta aos Hebreus, que exalta o sacerdócio de Cristo, diz que “ele, nos dias de sua vida na carne, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele, que tinha o poder de salvá-lo da morte” (Hb 5,7). Também o presbítero, para ser fiel ao seu Mestre e Senhor, deve ser homem de oração, precisa sempre “ir e voltar”, para poder servir ao povo, cheio da graça divina. Jesus é o modelo de vida espiritual de todo presbítero.

Ao se falar tanto, nos dias de hoje, da renovação da Igreja, não se pode esquecer que os primeiros a serem chamados em causa são os padres. Eles são chamados a se renovarem espiritualmente, a voltarem às fontes, ao primeiro amor, a fazer memória do primeiro chamado e do seu primeiro “sim”.

A Glória de Deus

Tudo o que os presbíteros fazem deve estar voltado para a glória de Deus e o serviço do próximo. Eles são mediadores, pontífices entre Deus e o povo. O decreto Presbyterorum ordinis do Concílio Vaticano II sobre a vida e o ministério dos presbíteros, ao falar sobre a natureza do presbiterato, ensina que “o fim que os presbíteros pretendem atingir com o seu ministério e com a sua vida é a glória de Deus Pai em Cristo” E continua: “Esta glória consiste em que os homens recebam consciente, livre e gratamente a obra de Deus perfeitamente realizada em Cristo, e a manifestem em toda a sua vida. Os presbíteros, portanto, quer se entreguem à oração e à adoração, quer preguem a palavra de Deus, quer ofereçam o sacrifício eucarístico e administrem os demais sacramentos, quer exerçam outros ministérios a favor dos homens, concorrem não só para aumentar a glória de Deus, mas também para fazer progredir os homens na vida divina. Tudo isto, enquanto brota da Páscoa de Cristo, será consumado no advento glorioso do mesmo Senhor, quando ele entregar o Reino nas mãos de Deus e Pai” (PO 2).

Encontro com Cristo

A vida de oração, que se reflete na pregação da Palavra, na presidência da Eucaristia e dos demais sacramentos e na caridade pastoral, tem sua fonte no encontro pessoal com Cristo. Todo padre deveria poder dizer como São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E esta vida que agora vivo, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Somente a partir de um encontro vivo com Cristo, como propõe o Documento de Aparecida para o início de todo itinerário formativo – e, com mais razão, para a formação permanente do presbítero –, é que se pode experimentar a beleza e a grandeza da vida cristã. Sem isso, o padre será um funcionário, um burocrata. Além de viver uma vida falsa e sem sentido, corre o risco de afastar, mais do que de conduzir os fiéis a Deus. É no encontro com Cristo, com ele e como ele, que o presbítero haverá de dirigir ao Pai, clamores e lágrimas, louvores e agradecimentos, súplicas e intercessões, preces de arrependimento e de abandono, em nome próprio e como mediador de todo o povo de Deus.

Quanto mais se inserir neste encontro e se deixar guiar pelo Espírito de Cristo, mais descobrirá a criatividade e a riqueza da oração cristã. Poderá tornar-se como o apóstolo Paulo, um homem que não parava, que ia sempre ao encontro do povo, para anunciar-lhe a graça da salvação. Um apóstolo das nações que, incansavelmente, percorreu estradas e navegou mares, na ânsia de levar a todos o amor de Deus revelado em Cristo. O padre de hoje também deve continuamente estar fora de si, indo de casa em casa, de comunidade em comunidade, em viagens, encontros, retiros, cursos, sempre vivendo e anunciando o Evangelho.

A Intimidade Espiritual

Na intimidade espiritual, o padre poderá tornar-se também como o santo Cura d’Ars, um homem que, diferentemente do movimentado Paulo, fixou residência numa aldeiazinha, e aí recebeu multidões que, de todo o canto da terra, iam ao seu encontro, para ver espelhado em seu rosto a beleza de Deus. Para São João Maria Vianney, o padre é um dom do Coração de Jesus para o povo. Por isso, mesmo no meio de intensos afazeres, ele haverá de buscar a intimidade espiritual, haverá de cultivar uma amizade sólida e leal com o Senhor Jesus. A oração não será uma fuga do mundo, mas o exercício de um direito que lhe cabe por ofício. O padre que for amigo de Cristo não buscará a oração por dever, mas a realizará com prazer, porque experimentará nela a fonte de muitas graças e forças. De um lado, a oração o preencherá em suas carências e o fará realizado e feliz em sua vocação e, de outro lado, enriquecerá seu ministério, com frutos abundantes e inimagináveis. Basta reconhecer quanto de riqueza humana, cívica e religiosa, brotou ao redor desse homem fraco e simples que foi o Cura d’Ars. Num lugarejo escondido no interior da França, revelou-se a força de Deus.

Percebe-se no mundo de hoje uma carência muito grande de Deus. O profeta Elias e Jesus de Nazaré nos ensinaram que Deus encontra-se na montanha, na brisa suave, no retirar-se para um lugar à parte. É também aí que nós, presbíteros do novo milênio, precisamos ir, para nos tornarmos místicos e mistagogos!

Convido, pois, os leitores a rezar, neste mês, para que os presbíteros sintam necessidade do encontro com Deus e experimentem o prazer da vida de oração.


Pe. Vitor Galdino Feller
Diretor e professor de teologia do ITESC
Ano Sacerdotal.br-SC

sábado, 6 de março de 2010

Congresso Teológico sobre fidelidade do sacerdote acontece em Roma




Congresso Teológico sobre fidelidade do sacerdote acontece em Roma

Dias 11 e 12 de março de 2010


A Congregação para o Clero promoverá nos dias 11 e 12 de março, por ocasião do "Ano Sacerdotal" instituído pelo Papa Bento XVI, um Congresso Teológico Internacional, a ser realizado na Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. O encontro terá com tema: Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote.

Segundo a Agência Informativa Católica Argentina (Aica), a Congregação informou, em um comunicado, que as discussões estão voltadas, principalmente, para os Bispos presidentes das Comissões para o Clero; os Supremos Moderadores dos Institutos e das Associações Clericais; os formadores do clero; e os sacerdotes, "primeiros e principais responsáveis pela própria formação permanente".

O Congresso Teológico Internacional terá três sessões: duas que versarão sobre a identidade sacerdotal e a relação da Igreja com a cultura contemporânea e uma que falará sobre liturgia e celibato. Participarão desses debates, entre outros, o prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Dom Cláudio Hummes e o Secretário do mesmo Dicastério, Dom Mauro Piacenza.

Após o término do Congresso, na tarde do dia 12 de março, o Papa deverá receber os Bispos e sacerdotes participantes do evento em uma audiência.


Fonte: Gaudiumpress

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Oração para o Ano Sacerdotal - Edward Poppe: Quero ser padre santo, ó Senhor!




Quero ser padre santo, ó Senhor! Todas as dificuldades superarei graças a Vós que me amais!


Quero ser padre santo, ó Senhor! Senão meu zelo, minhas penas bem pouco conseguiriam, minhas ovelhas fugiriam, e em grande número perder-se-iam! As palavras de um sacerdote santo impressionam, comovem, transpassam as almas e as renovam de modo extraordinário; provêm da graça, da oração e da penitência; são cheias da vossa força, ó meu Deus. Os sábios poderão, talvez, habilmente imitá-las, mas vós falais só através da boca do santo!

Fazei, ó Senhor, que não me deixe apavorar pelos obstáculos e perigos reais que encontro no meu caminho. Sei que vossa graça não se detém diante de coisa alguma e que jamais cederá se eu colaborar com ela. Saiba eu entender que as dificuldades e obstáculos transformam-se muitas vezes em auxílio e cooperam extraordinariamente para o bem, sob a maravilhosa ação de vossa graça.

Que poderia eu temer ainda? Comigo está a vossa graça, estais comigo e em mim. Sim, se entrardes em campo comigo, que poderei ainda chamar de obstáculo? A tribulação? A nudez? O perigo? A perseguição? A espada? Não! Pois todas essas dificuldades superarei graças a Vós que me amais. Estou certo de que criatura alguma no mundo tem o poder de me afastar do caminho da santidade.


Beato Eduardo Poppe
Vita Sacerdotale, pp.117-118, 125-126
Istit.Prop.Libraria, Milão, 4ªed, 1949

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A alegria de ser padre - na festa sacerdotal, na festa do presbitério e de cada sacerdote, por D. António Marto



A alegria de ser padre

Homilia do Bispo de Viseu na Missa Crismal

Quinta-Feira Santa, 13 de Abril de 2006

“Oh, como é bom e agradável encontrar-se entre irmãos... É bênção de Deus e vida para sempre” (Sl 139, 1.3), canta o salmista. A sua alegria – eco do júbilo de um povo unido em oração – é, hoje, a nossa alegria.

É bom e belo reencontrarmo-nos aqui como irmãos, nesta Quinta Feira Santa, em clima de cenáculo, para voltar sempre de novo às origens do nosso sacerdócio. Com esta alegria saúdo-vos a todos e cada um do íntimo do coração, agradecendo a vossa presença que muito me alegra e conforta. Em nome pessoal e de toda a Diocese dirijo uma saudação de particular congratulação aos presbíteros que celebram o 50º aniversário da sua ordenação sacerdotal. E na comunhão dos santos queremos também fazer memória viva e grata, nesta eucaristia, dos irmãos do nosso presbitério que, ao longo do ano, partiram para a casa do Pai.

Com todos vós desejo dar graças ao Pai celeste pelo caminho feito convosco nestes dois anos de serviço episcopal e pelas maravilhas da graça que Ele realizou na nossa Igreja através do vosso ministério.

Hoje é o dia, por excelência, da festa sacerdotal, da festa do presbitério e de cada sacerdote. É pois um convite a uma peregrinação espiritual às fontes da nossa alegria. A memória da unção da nossa consagração evocada pelas leituras (Is e Lc) e pela oração de consagração do óleo do Crisma, ajuda-nos a sentir dentro de nós o dom e a missão da alegria: “O Espírito do Senhor está sobre mim e o Senhor ungiu-me... e enviou-me a levar o óleo da alegria em vez do luto” (Is). “Já David cantou este óleo que faz brilhar de alegria o nosso rosto” “o óleo santo que dá beleza, alegria e paz aos nossos rostos” e, finalmente, referido a Cristo “ungido como ninguém com o óleo da alegria” (Oração de consagração). Eis a razão porque, este ano, vos ofereço uma meditação sobre “a alegria de ser padre” dentro da perspectiva do lema do ano pastoral “servidores da alegria do Evangelho”.

A relação íntima entre o ministério e a alegria é um desafio espiritual, pastoral e cultural que somos chamados a enfrentar. Diz respeito ao nosso ser profundo, ao nosso “eu”, marcado indelevelmente pelo dom da graça sacramental; e ao nosso mundo exterior, caracterizado pelo viver e agir quotidiano do nosso ministério que nos reserva dificuldades, fadigas, cansaço, provações, crises e sofrimentos de todo o gênero. E diz respeito à evangelização da nossa cultura que, por vezes, acusa o cristianismo de ter envenenado a alegria de viver, como nos recorda o Papa na sua encíclica.

Na vida do padre, a falta de alegria faz-se sentir como falta de impulso, de coragem, de iniciativa, de criatividade, como inclinação ao pessimismo, ao mau humor, como medo de tudo e lamentação de tudo. Então, a condição da nossa existência torna-se penosa e pesada para viver. Por isso, somos convidados a ir às fontes da nossa alegria, da alegria de ser padre, contemplando a alegria do rosto de Cristo.

As fontes da nossa alegria

1. A primeira fonte é a alegria de Jesus, que “exultou de alegria no Espírito Santo e disse: Eu te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11, 27). Este canto do “Magnificat” de Jesus mostra-nos que a fonte profunda da nossa alegria é a participação na alegria de Jesus, na sua intimidade de Filho com o Pai, a alegria de quem sabe ser amado por Deus como filho e escolhido como seu servo e ministro mesmo na sua pequenez e pobreza. É o próprio Jesus que nos introduz no segredo da sua alegria. Aos discípulos, a quem acaba de lavar os pés, confia: “Disse-vos isto para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja perfeita” (Jo 15, 1). Esta é a fonte de toda a outra alegria.

2. Nesta sequência, uma segunda fonte de alegria é a revelação aos pequeninos, como acabamos de citar. É a alegria de abrir o sentido da vida às almas simples. Para o padre é a alegria da catequese, do anúncio, do conselho espiritual, de uma relação significativa que ajuda as pessoas a descobrir desígnio de Deus, a alegria de uma relação que consola no meio do desânimo ou do desespero.

Nesta linha, fonte de alegria é uma comunidade que caminha bem, como diz S. João na sua 3ª carta “Não tenho maior alegria do que saber que os meus filhos caminham na luz da verdade” (3Jo 4). É a alegria de ver a gente a crescer e progredir nos caminhos do Evangelho.

Também é fonte de alegria uma comunidade que sabe agradecer, que exprime a sua gratidão: “Experimentei grande alegria no Senhor porque, finalmente, fizestes desabrochar o vosso amor por mim” (Fl 4,10). Por vezes, há pastores que se lamentam de não serem estimados pela comunidade. Todavia, em determinadas ocasiões (v.g. numa doença...) manifesta-se que a comunidade amava, estava afeiçoada ao seu padre.

3. Uma terceira fonte de alegria é o regresso de quem andava perdido. Como diz Jesus em S. Lucas: “Há mais alegria no céu por um só pecador que se converta...” (Lc 15, 7). É a alegria tipicamente apostólica. “Um só” é suficiente para dar grande alegria. Não são as estatísticas a dar-nos alegria, mas o encontro com uma pessoa que quer percorrer um caminho sério de conversão a Jesus. Um só caso é uma manifestação da graça vitoriosa de Cristo.

4. Uma quarta fonte de alegria é paradoxal: a perseverança nas provações e nas perseguições: “Os apóstolos saíram do sinédrio, cheios de alegria, por terem sido considerados dignos de sofrer ultrajes por amor do nome de Jesus” (At 5, 41). É a alegria na sua expressão limite. As grandes provações e as grandes alegrias andam entrosadas (misturadas) no ministério. É precisamente nas provações que se manifesta em nós a força de Cristo e a alegria como dom do Espírito Santo.

5. Finalmente, uma quinta fonte de alegria é a fraternidade e a comunhão presbiteral, tecida cada dia, por relações boas e de amizade, de mútua compreensão, estima e afeto, de apoio mútuo espiritual e material, de colaboração sincera e generosa no trabalho pastoral: “Oh, como é bom e agradável viver unidos como irmãos. É bênção de Deus e vida para sempre” (Sl 139,1).

A alegria é um dom, acontece, não se pode produzir, não se impõe nem encomenda. Desce do alto. É como a paz que brota do coração de Deus. Por isso não há uma receita para ela. É fruto do Espírito Santo.

Servidores da alegria do Evangelho

Por sua vez, o ministro do Evangelho é chamado a ser servidor da alegria do Evangelho à comunidade cristã e à sociedade. Esta alegria é uma das necessidades mais profundas do momento histórico-cultural que estamos a viver não só na Igreja (que revela sintomas de cansaço) mas em todo o continente europeu onde se difunde a cultura pós – moderna dominada pelo vazio do sem sentido, pelo stress, pela ansiedade, pelo medo de viver e dar a vida, pelo medo de arriscar e do futuro. “A sociedade tecnológica pôde multiplicar as ocasiões de divertimento e de prazer, mas dificilmente consegue dar a alegria. Porque a alegria vem de outro lado. É espiritual” (Paulo VI). Como podemos ser servidores desta alegria aos outros?

- Em primeiro lugar, através do anúncio. Isto significa, essencialmente, anunciar com entusiasmo a pessoa de Jesus como a fonte, o conteúdo e o sentido da alegria, “O cristianismo é alegria. A fé é alegria. A graça é alegria. Cristo é a alegria, a verdadeira alegria do mundo” (PauloVI, 29/03/64). Esta é a alegria que devemos anunciar na nova evangelização. Ela não destrói nem enfraquece as alegrias humanas, mas antes é a sua garantia mais sólida e o seu incentivo mais forte.

Ao anúncio junta-se a celebração da alegria nos sacramentos, particularmente, na eucaristia do dia do Senhor; “O olhar positivo sobre as pessoas e as coisas, fruto dum espírito humano iluminado e do E. Santo, encontra entre os cristãos um lugar privilegiado de fortalecimento: a celebração do mistério pascal de Jesus... Por isso, a nossa última palavra nesta Exortação é um apelo premente a todos os responsáveis e animadores das comunidades cristãs: não temais insistir, oportuna e inoportunamente, na fidelidade dos batizados a celebrar na alegria, a eucaristia dominical... sinal e fonte de alegria cristã e preparação para a festa eterna” (Paulo VI, Gaudete in Domino).

- Por fim, como sacerdotes, somos chamados a ser testemunhas corajosas da alegria cristã, na medida em que a possuímos e vivemos antes de mais. Testemunhas, porque a anunciam com a vida e porque educam os outros e os servem para uma vida cristãmente alegre. “Possa o mundo do nosso tempo receber a Boa Nova não de evangelizadores tristes e desencorajados, impacientes e ansiosos, mas de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, que tenham recebido em primeiro lugar a alegria de Cristo e aceitem arriscar a própria vida a fim de que o Reino seja anunciado e a Igreja implantada no coração do mundo” (EN 80).

Quero dizer-vos com certa paixão: vale a pena despertar e comunicar a alegria do Evangelho: é contagiante e construtiva, fonte de criatividade e de comunidade, dá sabor e bom humor à vida, desperta a inteligência científica, espiritual e política, dá força e ânimo para trabalhar juntos em ordem a construir “uma cidade sólida e unida, em que reine a fraternidade, a justiça e a paz” (Sl 121, 34). Por isso, o nosso ministério deve ser apreciado também pela sua capacidade de fazer crescer a alegria do Evangelho, de irradiar a serenidade e a paz que vêm do amor misericordioso de Deus. Devemos perguntar-nos: exerço o meu ministério com alegria? Qual é o conteúdo de Boa Nova, de amor, de alegria e de paz desta palavra ou desta atividade? Que conversão me pede o Senhor para irradiar esta alegria?

Tende confiança na “graça de estado”!

Se o Senhor nos chama a viver neste tempo de incertezas e de déficit de esperança e de alegria e a servi-lo aqui e agora como presbíteros e bispos, quer dizer que Ele tem em reserva para nós a graça e os recursos mais que suficientes para que nos santifiquemos caminhando na fé, na esperança e na alegria. Não tenhais medo! Tende confiança! Deus tem um futuro para nós!

Renovando hoje as promessas da nossa doação a Cristo e ao seu povo, devemos renovar também a confiança na “graça de estado” com a certeza de que quem nos pôs o arado na mão para trabalhar aqui e agora, também está próximo de nós dia após dia, caminha e trabalha conosco, reserva para nós a porção de alegria e serenidade para cada dia e para cada ocasião: dá-nos, hoje, ó Pai, o pão de cada dia!

E Tu, ó Maria, Mãe cheia da santa alegria, sê para todos nós, com a tua intercessão maternal, “causa da nossa alegria”: leva-nos a compreender, como Tu nas bodas de Cana, que só Jesus Ressuscitado é a alegria perfeita; ajuda-nos a viver profundamente a alegria do nosso ministério e a ser verdadeiros servidores da alegria do Evangelho à Igreja e ao mundo! E que todos nós, em coro, possamos cantar contigo o Magnificat de júbilo de que tu és a solista: “A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador”!


Dom António Marto, Bispo de Viseu
Homilia da Santa Missa Crismal
Sé de Viseu, Quinta-Feira Santa, 13 de Abril de 2006

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Ano Sacerdotal: Eucaristia e espiritualidade sacerdotal



Eucaristia e espiritualidade sacerdotal

A forma eucarística da existência cristã manifesta-se, sem dúvida, de modo particular no estado de vida sacerdotal. A espiritualidade sacerdotal é intrinsecamente eucarística; a semente desta espiritualidade encontra-se já nas palavras que o bispo pronuncia na liturgia da ordenação: «Recebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consciência do que virás a fazer; imita o que virás a realizar, e conforma a tua vida com o mistério da cruz do Senhor». Para conferir à sua existência uma forma eucarística cada vez mais perfeita, o sacerdote deve reservar, já no período de formação e depois nos anos sucessivos, amplo espaço para a vida espiritual. É chamado a ser continuamente um autêntico perscrutador de Deus, embora ao mesmo tempo permaneça solidário com as preocupações dos homens. Uma vida espiritual intensa permitir-lhe-á entrar mais profundamente em comunhão com o Senhor e ajudá-lo-á a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunstâncias mesmo difíceis e obscuras. Para isso, juntamente com os padres do Sínodo, recomendo aos sacerdotes «a celebração diária da Santa Missa, mesmo quando não houver participação de fiéis». Tal recomendação é ditada, ante de mais, pelo valor objetivamente infinito de cada celebração eucarística; e é motivada ainda pela sua singular eficácia espiritual, porque, se vivida com atenção e fé, a Santa Missa é formadora no sentido mais profundo do termo, enquanto promove a configuração a Cristo e reforça o sacerdote na sua vocação.


Papa Bento XVI
Sacramentum caritatis, nr.80

Sacerdotes discutem Ano Sacerdotal no 13º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP-2010)



Brasil: presbíteros discutem Ano Sacerdotal

13ª edição do Encontro Nacional dos padres acontece no início de fevereiro

SÃO PAULO, quinta-feira, 21 de janeiro de 2010 (ZENIT.org) - O Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, São Paulo, prepara-se para acolher o 13º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP), marcado para os dias 3 a 9 de fevereiro.

O evento reunirá mais de 500 sacerdotes dos 17 regionais da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Segundo o organismo episcopal, ao todo, estão inscritos para o encontro 528 presbíteros de todo o país. O encontro contará ainda com 39 convidados, de organismos e assessores da CNBB.

Segundo o assessor da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, Padre Reginaldo de Lima, durante o evento, os participantes irão fazer uma retrospectiva dos temas estudados ao longo destes 25 anos de ENP.

O Encontro Nacional dos Presbíteros aconteceu pela primeira vez em 1985. Foi criado a partir de um anseio dos presbíteros em terem um espaço de reflexão, oração e troca de experiências.

Os quatro primeiros Encontros Nacionais de Presbíteros [de 1985 a 1992] giraram em torno do tema da pessoa do presbítero, olhando para o aspecto da sua vida e do seu ministério.

Do quinto ao décimo [de 1994 a 2004] a temática centrou-se na missão do presbítero em relação ao mundo, com temas como: O presbítero e a globalização; O presbítero e a ação missionária; Presbítero: pessoa e missão.

Nos últimos dois eventos retomou-se a atenção para a vida e o ministério dos presbíteros.


Fonte: Zenit

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A santidade do sacerdote à luz de São Tomás de Aquino



É necessário que o sacerdote se santifique para que a graça sacramental da Ordem frutifique dia a dia

Considerando com profundidade a essência da ordenação sacerdotal e do próprio ministério sagrado, São Tomás nos ensina que o presbítero deve tender à perfeição mais ainda que um religioso ou uma freira. E de fato, para se entender tal ensinamento, basta ter bem presente o alto grau de santidade que a Celebração Eucarística e a santificação das almas exigem de um ministro, como nos adverte o Divino Mestre: “Vós sois o sal da terra; mas, se o sal se torna insosso, com que se salgará? Não servirá para nada senão para jogá-lo fora a fim de que os homens o pisem. Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 13-14a). Diante dessa enorme responsabilidade, compreende-se o motivo pelo qual não poucos santos tiveram receio da ordenação sacerdotal.

No mesmo sentido, afirma o famoso Pe. Garrigou-Lagrange: “É necessário que o sacerdote se santifique para que a graça sacramental da Ordem frutifique dia a dia”.

Esta questão é de candente atualidade, pois o sucesso maior ou menor de seu ministério em favor dos fiéis pode depender, de modo particular, do próprio sacerdote. Sabemos que os Sacramentos operam com eficácia pelo poder de Cristo, produzindo a graça por si mesmos. No entanto, sua penetração será maior ou menor conforme as disposições interiores de quem os recebe. E aqui entra um elemento subjetivo no qual tem importante papel a ação pastoral do ministro ordenado, pois sua virtude, seu fervor, seu empenho em pregar o Evangelho, em última análise, a santidade de sua vida — a qual é, por sua vez, uma forma excelente e insubstituível de pregação —, podem influenciar os fiéis a receberem os Sacramentos com melhores disposições, beneficiando-se, assim, mais de seus frutos.

Será este o fator de maior relevância no bom desempenho do ministério sacerdotal?

A propósito, na Carta para a Proclamação do Ano Sacerdotal, de 16 de junho p.p., o Santo Padre Bento XVI ressalta que o sacerdote deve aprender de São João Maria Vianney “a sua total identificação com o próprio ministério”, e acrescenta:

Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a Sua ação salvífica era e é expressão do Seu “Eu filial” que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à Sua vontade. Com modesta mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério e a subjetiva do ministro.

Por essa razão, deseja o Papa, neste Ano Sacerdotal, “favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual, sobretudo, depende a eficácia de seu ministério”.

É este ponto — de máxima importância para a vida da Igreja, mormente para a missão de anunciar o Evangelho e de santificar os fiéis — que pretendemos abordar nestas páginas: a relação entre eficácia do ministério sacerdotal e santidade pessoal de quem o exerce.

Recorreremos primordialmente ao ensinamento perene de São Tomás de Aquino, cuja importância e atualidade têm sido sublinhadas pelos Papas mais recentes, entre os quais Paulo VI. “É a primeira vez que um Concílio Ecumênico, o Vaticano II, recomenda um teólogo, e este é São Tomás”, afirma ele na Carta Lumen Ecclesiæ. E mais adiante, continua:

É tão poderoso o talento do Doutor Angélico, tão sincero seu amor à verdade e tão grande sua sabedoria ao indagar as verdades mais elevadas, ao explicá-las e relacioná-las com profunda coerência, que sua doutrina é instrumento eficacíssimo, não só para salvaguardar os fundamentos da fé, mas também para dela extrair, de modo útil e seguro, frutos de sadio progresso.


Mons. João Scognamiglio Clá Dias
www.clerus.org

Ano Sacerdotal - O Santo Cura d’Ars, o sacerdócio e os sacramentos: Se ao menos compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra



Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra.


O Santo Cura d’Ars ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia:

«Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. Depois de Deus, o sacerdote é tudo! Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu.

Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra. Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, senão houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecônomo do bom Deus; o administrador dos seus bens. Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. O padre não é padre para si mesmo, ele o é para vós».


Abbé Bernard Nodet
Le Curé d’Ars. Sa pensée – son cœur, Pp. 98-99-100
Ed. Xavier Mappus, Foi Vivante, 1966

Ano Sacerdotal –Congresso Internacional sobre o presbítero em Braga



ANO SACERDOTAL: BRAGA PROMOVE CONGRESSO INTERNACIONAL

Congresso Internacional sobre o presbítero: “À escuta da Palavra”

Braga, 13 jan 2010 (RV) - O primeiro Congresso sobre o Sacerdócio do século XX, em Portugal, foi realizado em Braga, em 25 de Outubro de 1905. O primeiro do século XXI, sendo de cariz internacional, também foi realizado em Braga, de 12 a 15 de Janeiro de 2010, comemorando 450 anos da fundação do Colégio de S. Paulo, atual edifício do Seminário Conciliar.

Para além das várias conferências, durante o congresso será apresentado um estudo que indicará como as pessoas vêem o padre e o que dele esperam.

A pesquisa foi orientada pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica portuguesa. “Para além deste estudo será também apresentado o resultado das reflexões de alguns grupos paroquiais que foram selecionados segundo as várias tipologias eclesiais da Arquidiocese (de Braga)” – sublinhou o padre Tiago Freitas, responsável do setor Comunicação da iniciativa.

Padre Tiago destaca ainda que a questão vocacional não é a grande prioridade da atividade promovida pelo congresso, mas a partir do debate se deseja “refletir sobre a identidade do sacerdote para ajudar o povo de Deus e a sociedade” a compreender “o modelo deixado por Jesus”.

Conclusões finais sobre o Congresso:

http://www.congressosacerdotal.com


Congresso Sacerdotal
Radio Vaticana.org

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O sacerdote e São João de Ávila




Quanto se enternece o coração de um bom sacerdote tendo ao Filho de Deus em suas mãos


Quanto se enternece o coração de um bom sacerdote quando, tendo ao Filho de Deus em suas mãos, considera em quão indignas mãos Ele está, comparadas com as mãos de Nossa Senhora! E, certamente, não se pode achar incentivo que assim impelisse e fizesse correr tanto um sacerdote no caminho da perfeição, como pôr-lhe nas mãos ao mesmo Senhor dos céus e da terra que foi posto nas mãos de uma donzela em quem Deus se compraz, dotando-a e embelezando-a de inumeráveis virtudes.


São João de Ávila
Tratado del sacerdocio, 21

ANO SACERDOTAL – Palavra do Sacerdote deve ter o fogo do amor




A oração, o fogo da relação


S. Antônio Maria Claret dizia que nenhum fogo ilumina sem arder e nenhum objeto arde se não há uma fonte de calor. Assim expressava a dinâmica da vida cristã: não se ilumina, nem se aquece, se não se ‘arde em caridade’. E não se pode arder em caridade se não se deixar abrasar pelo amor de Deus.

“A virtude mais necessária é o amor. Sim, digo e direi mil vezes: a virtude de que mais se precisa é o amor. Deve-se amar a Deus, a Jesus Cristo, a Maria Santíssima e ao próximo. Se não tiver amor, todos os seus belos talentos serão inúteis; mas, se tiver um grande amor e mais os talentos naturais, terá tudo. E a quem prega a Palavra o amor se faz de tal forma necessário que o amor faz o que faz o fogo no fuzil. Se um homem atirar uma bala com os dedos, bem pouco dano pode fazer, mas, se esta mesma bala for lançada pelo fogo da pólvora, matará. Assim é a divina Palavra. Se for pronunciada naturalmente, bem pouco efeito fará, mas se for dita por um sacerdote cheio do fogo de caridade, de amor a Deus e ao próximo, ferirá vícios, matará pecados, converterá os pecadores, operará prodígios”.


S. Antônio Maria Claret
Autobiografia

Padre Raniero Cantalamessa, Pregador do Papa, apresenta teste de credibilidade de todo sacerdote: você acredita no que diz e no que celebra?



«Padre Raniero Cantalamessa, Pregador do Papa, apresenta teste de credibilidade de todo sacerdote: o que os fiéis captam imediatamente em um sacerdote é se ele tem fé, se “crê” no que diz e no que celebra »

Seu conselho: Maria, modelo de fé para os presbíteros

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 (ZENIT.org) - Crentes e não crentes aplicam um teste de credibilidade em todo sacerdote, explicou nesta sexta-feira o Pregador da Casa Pontifícia a Bento XVI e seus colaboradores: você acredita no que diz e no que celebra?

Por este motivo, o Pe. Raniero Cantalamessa, O.F.M. Cap., na terceira e última meditação do Advento, pronunciada na Capela Redemptoris Mater do Vaticano, propôs aos presbíteros que, neste Ano Sacerdotal, aprendam e imitem a fé de Maria.

“O que os fiéis captam imediatamente em um sacerdote, em um pastor, é se “crê”, se crê no que diz e no que celebra. Quem busca no sacerdote antes de tudo a Deus, se dá conta em seguida; que não busca nele a Deus, pode ser facilmente enganado e induzir a engano o próprio sacerdote, fazendo que se sinta importante, brilhante, ao ritmo da moda, quando na realidade é ‘bronze que soa e címbalo que retine’”, constatou.

“Inclusive quem não crê se aproxima do sacerdote com um espírito de busca, entende imediatamente a diferença”, acrescentou o Pregador.

“O que o colocará saudavelmente em crise não são em geral as mais cultas discussões sobre a fé, mas encontrar-se perante alguém que crê verdadeiramente com todo seu ser. A fé é contagiosa. Alguém não se contagia só escutando falar dos vírus ou estudando-os, mas entrando em contato com ele: assim é a fé”, assegurou.

O Pregador se converteu em porta-voz dos sentimentos de muitos crentes, em particular sacerdotes, que se lamentam em oração com Deus “porque as pessoas abandonam a Igreja, não saem do pecado, porque falamos, falamos... e não acontece nada”.

Isso também aconteceu com os apóstolos que tentaram expulsar o demônio de um pobre menino, mas sem êxito. Depois que Jesus em pessoa expulsou o demônio do garoto, eles se aproximaram e lhe perguntaram: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” Ele respondeu: “Por causa da fraqueza de vossa fé” (Mt 17, 19-20).

E Maria é um modelo de fé para todo sacerdote, especialmente quando pronunciou seu “faça-se” (“amém”, em hebraico, segundo uma interpretação sua) ao enviado de Deus, que lhe propunha ser a mãe do Messias.

Ser mãe antes de estar casada supunha, segundo o livro bíblico do Deuteronômio, a lapidação, e Maria era perfeitamente consciente deste risco ao dar seu “sim” a Deus.

Por este motivo, o Pe. Cantalamessa propõe aos sacerdotes do mundo que façam o que fez o escritor italiano Carlo Carretto (1910-1988), quem, em seus anos do deserto no norte da África, viu o que aconteceu a uma menina tuaregue que ficou grávida antes de se casar: cortaram-lhe a cabeça.

Carreto “voltou a pensar em Maria, nos olhares sem piedade das pessoas de Nazaré, compreendeu a solidão de Maria, e nessa mesma noite a escolheu como companheira de viagem e como mestra de sua fé”, concluiu o Pe. Cantalamessa.

Nas outras duas meditações deste Advento, o capuchinho propôs aos sacerdotes ser “Ministros da nova aliança do Espírito” e “Servos e amigos de Jesus Cristo”.


Padre Raniero Cantalamessa
Pregador da Casa Pontifícia

ENCONTRO: 13º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP-2010)



Quanto se enternece o coração de um bom sacerdote tendo ao Filho de Deus em suas mãos!


Tema:“ENPs, 25 anos celebrando e fortalecendo a comunhão presbiteral”

Lema “Eu me consagro por eles” (Jo 17,19a)


Em Itaici, município de Indaiatuba (SP) acontecerá, de 03 a 09 de fevereiro de 2010, o 13º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP). O encontro, que acontece a cada dois anos, deve reunir este ano aproximadamente 400 padres de todo o Brasil.

2010 é um ano especial para o encontro, isso porque será comemorado os 25 anos do ENP. Para celebrar a data, os organizadores do encontro escolheram o tema “ENPs, 25 anos celebrando e fortalecendo a comunhão presbiteral” e o lema “Eu me consagro por eles” (Jo 17,19a).

O assessor da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, da CNBB, Padre Reginaldo de Lima antecipou o que será tratado na 13ª edição do ENP. “Durante o encontro os presbíteros vão recordar os temas que foram estudados e refletidos ao longo destes 25 anos. Os chamados temas transversais serão acompanhados de reflexão sobre o presbítero elementar, ou seja, diante de inúmeras atividades, o que é realmente elementar na figura do presbítero, para que ele exerça seu ministério na ‘Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”’.

O assessor também comentou o tema central do ENP. “O ponto central deste 13° Encontro Nacional de Presbíteros é o Ano Sacerdotal. Assim refletiremos como aprofundar ainda mais a espiritualidade dos presbíteros em todo o país. Também serve para articular, trocar experiências e idéias entre si, mostrando a singularidade e ao mesmo tempo a pluralidade de cada diocese ali representada por seus delegados. Ao final do encontro, é característico o envio de uma carta aberta aos presbíteros”, sublinhou.

Durante o 13º ENP o Cardeal Arcebispo de São Paulo (SP), Dom Odilo Pedro, Cardeal Scherer, orientará um retiro e os presbíteros farão uma peregrinação ao Santuário de Aparecida, no dia 6 de fevereiro. No mesmo dia, o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidirá uma missa às 9h. Para essa concelebração são convidados todos os presbíteros, de modo especial os das Dioceses mais próximas de Aparecida.

O ENP

Sua primeira edição aconteceu em 1985. O ENP foi criado a partir de um anseio dos presbíteros em terem um espaço de reflexão, oração e troca de experiências. Os quatro primeiros Encontros Nacionais de Presbíteros (de 1985 a 1992) giraram em torno do tema da pessoa do presbítero, olhando para o aspecto da sua vida e do seu ministério. Do quinto ao décimo (de 1994 a 2004) a temática girou em torno da missão do presbítero em relação ao mundo, com temas como: O presbítero e a globalização; O presbítero e a ação missionária; Presbítero: pessoa e missão, entre outros. Nos último dois eventos retomou-se, novamente, a atenção para a vida e o ministério dos presbíteros.


Fonte: CNBB

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Carta aos sacerdotes sobre a oração do Cardeal Cláudio Hummes




CARTA AOS SACERDOTES SOBRE A ORAÇÃO


Do Cardeal Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero

ROMA, quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 (ZENIT.org) - Publicamos a carta que o Cardeal Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero, enviou aos sacerdotes, falando sobre a oração.

* * *

Caros Presbíteros,

Na vida do Presbítero, a oração ocupa necessariamente um lugar central. Não é difícil de entender, porque a oração cultiva a intimidade do discípulo com seu Mestre, Jesus Cristo. Todos sabemos que, ao esvaecer-se a oração, debilita-se a fé e o ministério perde conteúdo e sentido. A consequência existencial para o Presbítero exprime-se em menor alegria e felicidade no ministério quotidiano. É como se o Presbítero, ao seguir os passos de Jesus, lado a lado com tantos outros, perdesse o passo no caminho, ficando sempre mais para trás e mais distante do Mestre, até perdê-Lo de vista no horizonte. A partir de então, caminha sem rumo e vacilante.

São João Crisóstomo, numa homilia, ao comentar a Primeira Carta de Paulo a Timóteo, adverte sabiamente: “O diabo joga-se contra o pastor [...]. Com efeito, se matar as ovelhas o rebanho diminui; ao invés, eliminando o pastor, destruirá o rebanho inteiro”. O comentário faz pensar em muitas situações hodiernas. Crisóstomo admoesta que a diminuição dos pastores faz e fará diminuir sempre mais o número dos fiéis e das comunidades. Sem pastores, nossas comunidades serão destruídas!

Aqui, porém, desejo, antes de tudo, falar da necessária oração para que, como diria Crisóstomo, os pastores vençam o diabo e não pereçam. Em verdade, sem o alimento essencial da oração, o Presbítero adoece, o discípulo não encontra forças para seguir o Mestre, e assim morre por inanição. Em consequência, seu rebanho se dispersa e morre.

Realmente, cada Presbítero é, por definição, portador de uma referência essencial à comunidade eclesial. Ele é um discípulo muito especial de Jesus, que o chamou e, pelo sacramento da Ordem, o configurou a Si como Cabeça e Pastor da Igreja. Cristo é o único Pastor, mas quis fazer participar a Seu ministério os Doze e seus Sucessores, mediante os quais também os Presbíteros, ainda que em grau inferior, são feitos participantes deste sacramento, de tal forma que também eles participem, a seu modo próprio, do ministério de Cristo, Cabeça e Pastor. Isso comporta um laço essencial do Presbítero com a comunidade eclesial. Ele não pode omitir-se no que diz respeito a essa responsabilidade, dado que a comunidade sem pastor se desfaz. A exemplo de Moisés, deve permanecer de braços erguidos ao céu, em oração, para que o povo não pereça.

Por esta razão, para continuar fiel a Cristo e à comunidade, o Presbítero precisa ser homem de oração, homem que vive na intimidade do Senhor. Necessita, além disso, ser confortado pela oração da Igreja e de cada cristão. As ovelhas devem rezar por seu pastor! Mas, quando este se dá conta que sua própria vida de oração enfraquece, é hora de dirigir-se ao Espírito Santo e implorá-Lo com ânimo de pobre. O Espírito reacenderá o fogo em seu coração. Reacenderá a paixão e o encanto para com o Senhor. Este está sempre ali e deseja fazer a ceia com quem Lhe abre a porta.

É Ano Sacerdotal e, por isso, queremos orar, com perseverança e grande amor, pelos Presbíteros e com os Presbíteros. A propósito, a Congregação para o Clero, cada primeira Quinta Feira do mês, durante o Ano Sacerdotal, às 16 horas, celebra uma Hora eucarístico-mariana, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, para os Sacerdotes e com os Sacerdotes. Conosco vem rezar muita gente, com alegria.

Caríssimos Presbíteros, aproxima-se o Natal de Jesus Cristo. Faço a todos vós os melhores e mais fraternos votos de Bom Natal e Feliz Ano de 2010. O Menino Deus, no presépio, convida-nos a renovar para com Ele aquela intimidade de amigos e discípulos, a fim de reenviar-nos como Seus anunciadores!

Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero
Carta aos sacerdotes sobre a oração

Cardeal Dom Cláudio Hummes: um sacerdote não pode viver sem oração



Mensagem vaticana: um sacerdote não pode viver sem oração

Carta do Prefeito da Congregação para o Clero aos presbíteros

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 9 de dezembro de 2009 (ZENIT.org) - Sem a oração, o sacerdote não pode viver, reconhece o Cardeal Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero, em uma carta enviada este mês aos sacerdotes, por ocasião do Ano Sacerdotal.
“Não é difícil de entender, porque a oração cultiva a intimidade do discípulo com seu Mestre, Jesus Cristo. Todos sabemos que, ao esvaecer-se a oração, debilita-se a fé e o ministério perde conteúdo e sentido.”

“A consequência existencial para o presbítero exprime-se em menor alegria e felicidade no ministério quotidiano. É como se o presbítero, ao seguir os passos de Jesus, lado a lado com tantos outros, perdesse o passo no caminho, ficando sempre mais para trás e mais distante do Mestre, até perdê-lo de vista no horizonte. A partir de então, caminha sem rumo e vacilante.”

Mas a falta de oração não afetará somente o presbítero, e sim toda a sua comunidade eclesial, já que “sem pastores, nossas comunidades serão destruídas!”.

“A exemplo de Moisés, deve permanecer de braços erguidos ao céu, em oração, para que o povo não pereça”, assegura.

“Por esta razão, para continuar fiel a Cristo e à comunidade, o presbítero precisa ser homem de oração, homem que vive na intimidade do Senhor. Necessita, além disso, ser confortado pela oração da Igreja e de cada cristão”, afirma.

“As ovelhas devem rezar por seu pastor! Mas, quando este se dá conta que sua própria vida de oração enfraquece, é hora de dirigir-se ao Espírito Santo e implorá-lo com ânimo de pobre. O Espírito reacenderá o fogo em seu coração. Reacenderá a paixão e o encanto para com o Senhor.”


Cardeal Dom Cláudio Hummes
Arcebispo Emérito de São Paulo
Prefeito da Congregação para o Clero
Carta aos sacerdotes sobre a oração

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

BRUNO FORTE PARA O ADVENTO: Padres por amor – Mensagem para o Ano Sacerdotal




Padres por amor

Por D. Bruno Forte


Mensagem para o Ano Sacerdotal 2009-2010


No início deste ano sacerdotal quero fazer contigo, irmão no sacerdócio, a pergunta que está na base da nossa identidade e da nossa missão: por que somos padres? Quem fez com que déssemos toda a nossa vida por este ministério do Evangelho da reconciliação, da eucaristia e da caridade? A resposta só pode ser uma: Jesus Cristo. Somos padres porque Ele nos quis tais, nos chamou e assim nos amou, e ainda nos quer assim e nos ama sempre, Ele que é fiel no amor. O sentido da nossa vida, a razão verdadeira da nossa vocação não está em alguma coisa, talvez até a coisa mais bela do mundo, mas em Alguém: este Alguém é Ele, o Senhor Jesus. Somos padres porque um dia Ele nos alcançou e nos chamou (cada um de nós sabe como: na palavra de uma testemunha, num gesto de caridade que tocou nosso coração, no silêncio de um caminho de escuta e oração, até na dor de sentir que a vida nos parecia como que vazia sem Ele).

A Ele que chamava dissemos sim: e desde então se acendeu em nós uma chama de amor, que com a sua graça não mais se apagou. Uma chama que nos faz arder por Ele, desejá-Lo, querer o que Ele quer para nós. Creio não exagerar, nem dizer palavras grandiloquentes. Na realidade, não teríamos podido ser padres e sê-lo na fidelidade, apesar de tudo, se Ele não tivesse no-lo dado a viver em nós, a enamorar-nos Dele sempre de novo. É este amor que nos impulsionou a todas as obras que fizemos pelos outros: desde a simples acolhida de coração à escuta perseverante e paciente, desde esforço de transmitir a todos o sentido e a beleza da vida vivida para Deus às obras de caridade e ao empenho pela justiça, co-dividindo especialmente a ânsia do pobre e procurando ser a voz de quem não tem voz. Certamente, parece-nos sempre pouco o que fizemos: sentimos o peso dos nossos erros, cometidos muitas vezes de boa fé; dói em nós a tristeza dos nossos pecados; nos turbam as nossas omissões. Se algo de verdadeiro e de belo fizemos, foi porque Jesus nos concedeu fazê-lo: é Ele que se deu a nós e nos tornou capazes de gestos de gratuidade que por nós mesmos não teríamos podido sequer pensar ou sonhar.

Esta premissa – testemunho da nossa vida de chamados por Cristo - explica porque sinto a necessidade a cada dia de escutar a Palavra do Amado e de celebrar a Eucaristia e porque creio que estes apontamentos são tão importantes para nós: não se trata de uma obrigação, mas de uma necessidade, não só emotiva (às vezes, pelo contrário, a emotividade parece à parte, totalmente), mas profunda, iniludível. É a necessidade de preencher a cada dia a nossa vida com Ele: é Jesus que nos disse que para cada dia basta o seu afã (cf. Mateus 6,34), isto é, que cada dia é longo aquele tanto que basta para sustentar a luta para conservar a fé. A cada dia nasce o sol para nós e a cada dia o nosso coração sedento de amor tem necessidade que o sol do Amado o alcance e o esquente de novo: se Ele é a nossa vida, o sentido e a sua beleza, outra coisa não podemos fazer que encontrá-Lo ali onde Ele vivo e verdadeiro fala à Igreja e se oferece por nós. Que dirias de um enamorado que – podendo – não sentisse a necessidade de encontrar até a cada dia a pessoa amada, de escutar a sua voz? Se isto vale para o amor humano, que geralmente é tão frágil e volúvel, como poderia não valer para o amor que não desilude e não trai, o amor que faz viver no tempo e para a eternidade, o amor de Deus em Cristo Jesus, nossa vida?

Eis onde nasce, pois, a necessidade de encontrá-lo a cada dia, sempre de novo: onde podemos satisfazer esta exigência senão ali onde Ele nos fala e nos garante o dom da sua presença? “O amigo do esposo exulta de alegria à voz do esposo” (João 3,29) – “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna” (5,24). “Este é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim – Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós” (Lucas 22,19-20). Sim, a cada dia temos necessidade de Ti, Jesus: e se no domingo Te encontramos na festa do dia primeiro e último, o dia da Tua ressurreição e da vida nova que Tu dás à Igreja e ao mundo, a graça de poder celebrar a cada dia o memorial da Tua páscoa, na escuta da Tua Palavra, enche de alegria e de paz o nosso coração de sacerdotes. Verdadeiramente, não estamos sós no caminho do nosso ministério: és Tu que nos visitas sempre de novo com a Tua Palavra de vida; és Tu que nos visitas nos irmãos e nas irmãs que colocas na nossa estrada; és Tu que no pobre pedes a nós amor e em qualquer um que tenha necessidade do amor nos chamas a dar; és Tu – no vértice de tudo isso e como fonte viva deste rio de vida – que Te fazes presente na eucaristia, para que nos nutramos de Ti, vivamos de Ti, amemos a Ti, hoje e por toda a eternidade.

Por que nutrir-se assiduamente da Palavra de vida e celebrar a eucaristia a cada dia, fazendo de tudo para que esta não falte jamais? Para encontrar-Te, Jesus, luz da nossa vida, amor que dás sentido a tudo e a tudo transformas, amor que torna até um como eu capaz de graça e de perdão. Escuto a cada dia as Tuas Palavras e celebro a cada dia o Teu memorial para que todos possam conhecer-Te e amar-Te do modo como só Tu podes tornar capaz cada um, e porque eu mesmo, que tenho necessidade do pão cotidiano para viver, a cada dia tenho necessidade de Ti para crescer na vida que não acabará jamais. Neste dúplice sentido digo ao Pai, por mim e pelos meus irmãos, as palavras que Tu me ensinaste: “Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano”. Na Tua Palavra e no Pão da vida a cada dia posso encontrar-Te, Senhor Jesus, para que eu seja alcançado e transformado sempre mais pela Tua beleza, para ser – apesar de mim mesmo – o reflexo pobre e enamorado de Ti, o Pastor belo. Sei bem que tudo isso poderia tornar-se um hábito e que por isso devo vigiar para que o encontro contigo seja sempre novo: sei também, porem, que o hábito, se é sinal de fidelidade, é algo de verdadeiro e de belo. Encontrando-Te, posso dizer verdadeiramente que celebro pelos outros e com eles, mesmo que eles não estejam visivelmente presentes, porque em Ti encontro o povo que me confiaste, a Ti confio o seu amor e a sua dor, ainda que muitos deles jamais o saibam. Este é o ministério da intercessão, ao qual me chamaste, de oração pelos outros e no lugar deles, também por aqueles que não conheci e jamais conhecerei, aquela oração que só posso viver de verdade se unido a Ti, em Ti e por Teu meio, porque Tu és o Sacerdote da nova e eterna aliança entregue pela vida, pela alegria e a beleza de cada uma das Tuas criaturas.

Sim, porque Tu, Senhor Jesus Cristo, não és apenas verdade e bondade: Tu és beleza, a beleza que salva. Tu és o pastor belo que nos guia para as pastagens da vida, onde está a beleza sem ocaso. A cada dia desejo repousar no Teu peito para escutar-Te: “Compreendeu o sentido das palavras de Jesus, só aquele que repousou no peito de Jesus” (Orígenes, In Joannem 1,6). Celebrando a cada dia, espero tornar-me também eu um pouco mais verdadeiro e bom em Ti, Tu que na Tua Igreja me alcanças como o único bem, a bondade perfeita, a beleza que transfigura tudo. Penso que no mais fundo do coração de todos nós padres, sacerdotes da reconciliação, testemunhas do Evangelho, haja esta mesma necessidade: é belo saber que podemos encontrar-te a cada dia e crescer assim na comunhão entre nós e com toda a Igreja no altar da vida. Irmão no sacerdócio, desejo dizer-te que àquela mesa te levarei de modo todo especial, e tu levarás a mim, e junto estará Cristo para levar-nos, levar a nossa cruz e a dos outros da qual devemos nos encarregar, a dar-nos a Sua vida de Ressuscitado, que venceu o pecado e a morte para vencê-los em nós e nos nossos companheiros de caminho, no tempo e na eternidade.

Termino esta carta com algumas palavras do Cura de Ars, São João Maria Vianney, especial patrono deste ano sacerdotal, para que possamos fazê-las nossas na verdade do coração e da vida: “Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus... Como é belo!” – “Não há dois modos bons de servir a Deus. Há um só: servi-lo como ele quer ser servido” – “O sacerdócio é o amor do coração de Jesus” – Meu Deus, faz-me a graça de amar-te tanto quanto é possível que eu te ame”. Amem!


D. Bruno Forte
Arcebispo de Chieti-Vasto
Tradução de Pe. Siro Manuel de Oliveira
www.anosacerdotal.org.br

Dom Mauro Piacenza para o Ano Sacerdotal: Alma do sacerdote deve ter “musculatura de Rambo”, que seja alimentada com “a oração, a vida interior



Alma do sacerdote deve ter “musculatura de Rambo”, que seja alimentada com “a oração, a vida interior e a verdadeira motivação”

ROMA, domingo, 29 de novembro de 2009 (ZENIT.org) - O Secretário da Congregação para o Clero, Dom Mauro Piacenza, indica que a alma do sacerdote deve ter “uma musculatura interior de Rambo”, que seja alimentada com “a oração, a vida interior e a verdadeira motivação”.

FRUTOS

Dom Piacenza assegurou que durante este ano comemorativo, do qual se passaram cinco meses, muitos sacerdotes se renovaram na vocação. Ele disse que “por renovação não se entende revolução”, mas uma “renovação interior”, quer dizer, uma redescoberta das fontes da vocação sacerdotal.

Indicou que neste ano se deve “expressar o agradecimento por um serviço que tantas vezes se faz escondido”, referindo-se às atividades pastorais e litúrgicas que tantos sacerdotes desempenham”.

Dom Piacenza assinalou que são vários os aspectos da vocação sacerdotal que se pretendem ressaltar. Em primeiro lugar, a adoração eucarística: “a primeira coisa que devemos fazer é rezar”, disse o secretário.

Ele destacou ainda o papel de várias dioceses no mundo, muitas das quais têm dado uma ênfase especial nas jornadas de adoração ao Santíssimo pela santidade dos sacerdotes.

EXEMPLOS

“Os sacerdotes às vezes devem remar contra a corrente”, disse Dom Piacenza, falando “em sentido evangélico, quer dizer, fazer guerra, mas de santidade”.

Ele convidou a recordar a figura do Santo Cura D’Ars. “Que ele fez de extraordinário?”. “Nada”, respondeu. “Centrou tudo em sua vocação: as obras pastorais, a eucaristia e a confissão”.

A respeito do sacramento da confissão, Dom Piacenza afirmou: “oxalá todos nós, sacerdotes, fôssemos ‘explorados’ pelos fiéis”.

Referindo-se a São João Maria Vianney, indicou que “não tinha dotes particularíssimos de inteligência”, mas “foi um pastor excepcional. Não se licenciou em pastoral”, porque o trabalho de um sacerdote se aprende especialmente “com o amor de Deus”.

O Prelado assegurou que neste ano se quer ressaltar o aspecto da maternidade espiritual, recordando o exemplo de Santa Teresinha do Menino Jesus, que ofereceu tantas orações, sacrifícios e mortificações pela santidade de muitos sacerdotes, até o ponto de ser declarada padroeira das missões, apesar de sua condição de religiosa de claustro.

“Ela foi uma mãe dentro da comunidade do Carmelo. Converteu-se em anjo da guarda de muitos sacerdotes”, assegurou Dom Piacenza.


Dom Mauro Piacenza
Secretário da Congregação para o Clero
29 de novembro de 2009

ANO SACERDOTAL: Congregação para o Clero apresenta dois encontros sobre o sacerdócio



Congregação para o Clero apresenta dois encontros sobre o sacerdócio

ROMA, domingo, 29 de novembro de 2009 (ZENIT.org) - A alma do sacerdote deve ter “uma musculatura interior de Rambo”, que seja alimentada com “a oração, a vida interior e a verdadeira motivação”.

Foi o que indicou na sexta-feira o Secretário da Congregação para o Clero, Dom Mauro Piacenza, que se reuniu com um pequeno grupo de jornalistas para apresentar algumas reflexões e atividades que se realizarão em Roma no contexto do Ano Sacerdotal, evento que encerra a 11 de junho na Basílica de São Pedro.

Ele se referiu ao Congresso “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”, que acontece nos dias 11 e 12 de março na Pontifícia Universidade Lateranense. Também citou o Encontro mundial de sacerdotes, que apresentará várias atividades acadêmicas e litúrgicas nas quatro Basílicas maiores de Roma, de 9 a 11 de junho.

A organização de ambos encontros está a cargo da Obra Romana de Peregrinações, dependente do Vicariato de Roma, órgão da Santa Sé.

Temas como cristologia, identidade sacerdotal, desafios da cultura contemporânea, liturgia, celibato e atividade pastoral serão abordados não só do ponto de vista dos padres, mas também dos seminaristas, diáconos e leigos.

No próximo dia 11 de junho, uma sexta-feira, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Ano Sacerdotal será encerrado na Basílica de São Pedro com uma Missa presidida pelo Papa Bento XVI.

O Secretário da Congregação para o Clero indicou que na história recente da Igreja não se dedicou um ano aos sacerdotes.

Não obstante, em ocasiões anteriores se realizaram vários encontros internacionais, entre 1996 e 2004, que tiveram lugar em Portugal, Costa do Marfim, México, Terra Santa, Roma e Malta.

Mais informações e reservas para participar do encerramento do Ano Sacerdotal, em www.josp.com ou no e-mail a.sacerdotalis@orpnet.org.


Dom Mauro Piacenza
29 de novembro de 2009