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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Festa da Apresentação do Senhor: Ó Cristo, ensinai-me a pôr em Vós os olhos e o coração



Apresentação do Senhor, Festa
Ofício festivo próprio
Leituras:
Ml 3, 1-4 ou Hb 2, 14-18
Sl 23 (24), 7.8.9.10
Lc 2, 22-40


Ó Cristo, ensinai-me a pôr em Vós os olhos e o coração


“Ó Cristo, ensinai-me a pôr em Vós os olhos e o coração, a chamar sobre mim e sobre o mundo as águas da caridade, a saciar-me de caridade na oração, a viver nela, a dirigir a torrente de suas águas para todas as almas sedentas.

Ó meu Senhor Jesus, contemplo-vos nas viagens em busca de nossas almas: cansado, atravessastes em pleno dia as areias do deserto e eis-vos assentado à beira do poço de Jacó. Com sede, vos dignais pedir-vos de beber. Não para Vós mendigais, mas para nós: estais com sede de vos dardes, pois a água que até agora bebemos só nos sacia por breve tempo e nos abris a fonte de eterna primavera a manar as águas da vida eterna. Oh! Se conhecêssemos vosso dom!

Para penetrar, porém, nestas maravilhas, precisaríamos ser o Espírito Santo e ler em vossas divinas profundezas.

Aos vossos apóstolos, tais segredos comunicais. O Espírito de nosso apostolado não é o espírito do mundo e, sim, o que de Vós procede com a missão de revelar-nos os tesouros divinos de vossa graça.

Em vão procuraria assimilar as coisas de vosso Espírito a pessoa que só dispõe de recursos naturais. Dai-me, ó Senhor, conservar-me na dependência de vosso Espírito. Jamais me baseie em outros juízos a não ser os do Espírito Santo. Quem me dera compreender minha missão de apóstolo e dela me compenetrar! Quem me dera possuir vosso Espírito, ó Cristo, e viver dele!”.


Cardeal Désiré-Joseph J. Mercier
Arcebispo de Malines e Primaz da Bélgica
A vida interior 6, pp.510-511, 514-515
La Vita Interiore, Milão, 1933

Apresentação do Senhor: A criança que se toma nos braços é o Salvador do mundo



Apresentação do Senhor, Festa
Ofício festivo próprio
Leituras:
Ml 3, 1-4 ou Hb 2, 14-18
Sl 23 (24), 7.8.9.10
Lc 2, 22-40


Os meus olhos viram a tua salvação


De repente, entrará no seu Templo o Senhor que vós procurais" (Ml 3,1). Hoje é-nos recordada a ação silenciosa da Providência de Deus. Acontecimentos que tinham sido previstos há muito inserem-se tranquilamente no curso do tempo; as visitas do Senhor permanecem simultaneamente repentinas e misteriosas...

Nesta cena, não há verdadeiramente nada de extraordinário nem de impressionante; no mundo, pessoas como os pais desta criança, tão pobres, e dois velhos como estes são olhados sem grande interesse e passa-se à frente. Contudo, o que temos aqui é a realização solene de uma profecia antiga e prodigiosa. A criança que se toma nos braços é o Salvador do mundo, o autêntico herdeiro que vem, sob a aparência de um desconhecido, visitar a sua própria casa. O profeta tinha dito: "Quem poderá suportar o dia da sua vinda?" (Ml 3,2); ei-lo que vem para tomar posse dela. Além disso, o velho Simeão está repleto dos dons do Espírito: alegria, ação de graças, esperança, misteriosamente misturadas com o temor, o susto e a dor. Também Ana se torna profetisa e as testemunhas a quem se dirige são o autêntico Israel que espera com fé a redenção do mundo de acordo com as promessas. "A glória que virá desse Templo ultrapassará a do antigo", tinha anunciado um outro profeta (Ag 2,9). Ei-la agora, essa glória: um menino com seus pais, dois velhos e uma assembléia sem nome e sem futuro. "A vinda do Reino não se deixa ver" (Lc 17,20).

Tal foi sempre a maneira de Deus fazer as suas visitas: o silêncio, o inesperado, a surpresa aos olhos do mundo, apesar das predições conhecidas de todos, cujo sentido a Igreja verdadeira apreende e espera o cumprimento... Não pode ser de outra forma. Os avisos de Deus são claros mas o mundo continua o seu curso; envolvidos pelas suas atividades, os homens não sabem discernir o sentido da história. Tomam grandes acontecimentos por fatos sem importância e medem o valor das realidades segundo uma perspectiva apenas humana... O mundo permanece cego, mas a Providência oculta de Deus realiza-se dia após dia.


Cardeal John Henry Newman
Presbítero, fundador, teólogo

The Invisible World, PPS, Vol.II, no.10

Festa da Apresentação do Senhor: Simeão se aproxima, toma o Menino nos braços e reconhece nele o Messias



Apresentação do Senhor, Festa
Ofício festivo próprio
Leituras:
Ml 3, 1-4 ou Hb 2, 14-18
Sl 23 (24), 7.8.9.10
Lc 2, 22-40


Homilia da Apresentação do Senhor no Templo


"Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para O apresentarem ao Senhor" (Lc 2, 22). O Menino Jesus entra no Templo de Jerusalém nos braços da Virgem Mãe.

"Nascido de mulher, nascido sujeito à Lei" (Gl 4, 4), Ele segue o destino de cada primogênito varão do seu povo: segundo a Lei do Senhor, deve ser "resgatado" com um sacrifício, quarenta dias depois do nascimento (cf. Êx 13, 2.12; Lv 12, 1-8).

Aquele recém-nascido, aparentemente em tudo semelhante aos outros, não passa despercebido: o Espírito Santo abre os olhos da fé ao velho Simeão, que se aproxima e, tomando o Menino nos braços, reconhece nele o Messias e louva a Deus (cf. Lc 2, 25-32). Este Menino profetiza ele será luz das gentes e glória de Israel (cf. ibid., v. 32), mas também "sinal de contradição" (Ibid., v. 34) porque, segundo as Escrituras, realizará o juízo de Deus. E à Mãe admirada, o piedoso ancião prediz que isto acontecerá através de um sofrimento, em que também Ela há-de participar (cf. ibid., v. 35).

Quarenta dias depois do Natal, a Igreja celebra este sugestivo mistério gozoso que, de certa forma, antecipa o sofrimento da Sexta-Feira Santa e a alegria da Páscoa. A tradição oriental denomina esta solenidade como a "festa do encontro" porque, no espaço sagrado do Templo de Jerusalém, tem lugar o abraço entre a bondade de Deus e a expectativa do povo eleito.

E tudo isto adquire significado e valor escatológico em Cristo: Ele é o Esposo que vem cumprir a aliança nupcial com Israel. Muitas pessoas são chamadas, mas quantas estão efetivamente prontas a recebê-lo, com a mente e o coração vigilantes (cf. Mt 22, 14)? Na liturgia do dia de hoje contemplamos Maria, modelo daqueles que esperam e abrem com docilidade o coração para o encontro com o Senhor.

Nesta perspectiva, a festividade da Apresentação de Jesus no Templo revela-se particularmente adequada para acolher o louvor reconhecido das pessoas consagradas e, com razão, é desde há alguns anos, que se celebra precisamente nesta data a "Jornada Mundial da Vida Consagrada". A imagem de Maria que, no Templo, oferece a Deus o Filho, fala com eloqüência ao coração dos homens e das mulheres que fizeram total oblação de si mesmos ao Senhor, mediante os votos de pobreza, castidade e obediência pelo Reino dos Céus.

O tema da oferenda espiritual mistura-se com o tema da luz, introduzido pelas palavras de Simeão. Assim, a Virgem manifesta-se como um candelabro que apresenta Jesus, "Luz do mundo". Juntamente com Maria, milhares de religiosos, religiosas e leigos consagrados estão reunidos no dia de hoje, no mundo inteiro, para renovar a sua consagração, tendo nas mãos os círios acesos, expressão da sua ardente existência de fé e de amor.

Do alto dos seus nichos, ao longo das paredes desta Basílica, os Fundadores e as Fundadoras de muitos dos vossos Institutos velam sobre vós. Eles recordam o mistério da comunhão dos Santos, em virtude da qual, na Igreja peregrina, se renova de geração em geração a escolha de seguir Cristo com uma especial consagração, segundo os múltiplos carismas suscitados pelo Espírito. Ao mesmo tempo, estas veneráveis figuras convidam-nos a dirigir o olhar para a Pátria celestial onde, na assembléia dos Santos, muitas almas consagradas louvam em plena bem-aventurança o Deus Uno e Trino a quem, na terra, amaram e serviram com o coração livre e indivisível.

Pobreza, castidade e obediência são as características distintivas do homem redimido, interiormente resgatado da escravidão do egoísmo. Livres para amar, livres para servir: assim são os homens e as mulheres que renunciam a si mesmos pelo Reino dos Céus. Seguindo Cristo, crucificado e ressuscitado, eles vivem esta liberdade como solidariedade, assumindo os pesos espirituais e materiais dos seus irmãos.

Trata-se do multiforme "servitium caritatis", que se exerce no claustro e nos hospitais, nas paróquias e nas escolas, no meio dos pobres e dos migrantes, e também nos novos areópagos da missão. De numerosas formas, a vida consagrada é epifania do amor de Deus no mundo (cf. Exortação Apostólica Vita consecrata, cap. III).

Com a alma reconhecida, no dia de hoje damos graças a Deus por cada um deles. Por intercessão da Virgem Maria, o Senhor enriqueça cada vez mais a sua Igreja com este grandioso dom. Para o louvor e a glória do seu amor, e para a difusão do seu Reino. Amém!



Papa João Paulo II
Homilia na Apresentação do Senhor
Vaticano, 1º de fevereiro de 2003

Festa da Apresentação do Senhor: Simeão se aproxima, toma o Menino nos braços e reconhece nele o Messias



Apresentação do Senhor, Festa
Ofício festivo próprio
Leituras:
Ml 3, 1-4 ou Hb 2, 14-18
Sl 23 (24), 7.8.9.10
Lc 2, 22-40


Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz, porque, até o momento em que peguei em Cristo e o apertei nos meus braços, eu estava como que prisioneiro e não podia libertar-me dos laços que me prendiam

Simeão sabia que mais ninguém nos pode fazer sair da prisão do corpo, com esperança numa vida futura, senão aquele que ele tinha nos braços. Por isso lhe diz: “Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz, porque, até o momento em que peguei em Cristo e o apertei nos meus braços, eu estava como que prisioneiro e não podia libertar-me dos laços que me prendiam.”

Note-se que isto não vale apenas para Simeão, mas para todos os homens. Se alguém deixa este mundo e quer ganhar o Reino, que tome Jesus nas suas mãos, que o envolva com os seus braços, que o aperte ao seu peito, e então poderá dirigir-se radioso ao lugar que deseja...

“Todos aqueles que o Espírito anima são filhos de Deus” (Ro 8,14). Foi, pois, o Espírito Santo quem conduziu Simeão ao Templo. Se também tu queres pegar em Jesus, apertá-lo nos teus braços e tornar-te digno de sair da prisão, esforça-te por te deixares conduzir pelo Espírito, para chegares ao templo de Deus.

Desde já te encontras no templo do Senhor Jesus, isto é, na sua Igreja, no seu templo construído com pedras vivas (1Pe 2,5)... Se, trazido pelo Espírito, vieres até ao Templo, encontrarás o Menino Jesus, tomá-lo-ás nos braços e dir-lhe-ás: “Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz.” Esta libertação e esta partida fazem-se na paz... Quem é que morre em paz, senão quem tem a paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência e guarda o coração dos que a possuem? (Fl 4,7) Quem é que se retira em paz deste mundo, senão aquele que compreende que Deus veio em Cristo reconciliar o mundo consigo?


Orígenes, presbítero e teólogo
In Lucam Homilia XV
Patrologia Grega 13, 1838-1839