terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sacerdote, chamado a ser irmão, pai e esposo





Sacerdote, chamado a ser irmão, pai e esposo

Explica o Bispo Dominique Rey em seu livro sobre o sacerdócio

PARIS, segunda-feira, 17 de agosto de 2009 (ZENIT.org) - O sacerdote está chamado a encarnar três figuras: “irmão, pai e esposo”, indica o Bispo de Fréjus-Toulon, D. Dominique Rey, em seu livro Le prête (“O sacerdote”), publicado no contexto do Ano Sacerdotal. D. Rey fala sobre seu livro em uma entrevista com o porta-voz da conferência de Bispos da França, D. Bernard Podvin, publicada no site da conferência.

Dimensão fraternal do sacerdote

Sobre estas 3 dimensões do sacerdote, o Bispo considera que “a figura do irmão funda as outras duas”.

“Como se pode exercer uma paternidade se não for no interior de uma fraternidade comum? – pergunta-se. Como cristãos, nós a recebemos no batismo.”

Dimensão Esponsal do sacerdote

Quanto à dimensão esponsal, o Bispo francês indica que o sacerdote “toma o lugar de Cristo esposo”, ainda que adverte que “a dimensão esponsal é atualmente a mais incompreendida”.
“A partir dela, adquirem sentido o celibato do sacerdote e seu compromisso inquebrantável com a Igreja, de quem ele é um ministro”, acrescenta.

Dimensão Paternal do sacerdote

Com relação ao aspecto paternal do sacerdote, D. Rey indica: “A dimensão da paternidade me parece uma urgência e um desafio em um contexto em que a figura paterna está em jogo nos modelos sociais devido à desintegração da família e à diminuição da autoridade”. O Bispo afirma que “uma sociedade sem pai é uma sociedade sem referência”.

“É dando sua vida e perdendo-a, a exemplo de Cristo, como se pode oferecer a vida – assegura. A paternidade cristã é sacrificada, mas é fonte de alegria”.

Fidelidade nas coisas pequenas e grandes

Entre os diversos aspectos tratado nas 130 páginas do livro publicado pela editora Tempora, encontra-se também o da fidelidade cristã que, na opinião do autor, “deve se basear na de Cristo à sua Igreja, pela qual Ele mesmo se entregou até dar a vida”.

O Bispo indica que “existem modelos de fidelidade que apoiam e estimulam a nossa”, como o dos seus próprios pais, “cujo testemunho de 70 anos de vida em comum me demonstraram que a palavra ‘amor’ tem relação com a palavra ‘sempre’”.

“A fidelidade é construída no dia a dia – explica. A fidelidade no grande se deriva da fidelidade no pequeno vivida dia a dia: fidelidade à oração, às amizades, aos compromissos. Paradoxalmente, enquanto nossa cultura preconiza a infidelidade sempre em busca de novas experiências, o zapping perpétuo e suas relações sucessivas e por contrato, o homem atual se encontra em busca de arraigo profundo e duradouro, de um amor que não falhe. Toda fidelidade é uma arte de viver com o tempo: muito além do efêmero. Procuramos construir sobre o invariável, sobre o permanente – indica. E é aí onde podemos reencontrar Cristo: O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão”.

No livro, o Bispo reconhece que “enfrentando as próprias dificuldades e os obstáculos do caminho, alguns sacerdotes desconfiam do seu ministério. Eles não vêem os frutos do seu apostolado, enfrentam a indiferença e inclusive o desprezo – explica. Não podemos carregar sozinhos o peso da esperança”.

Vinculação com os leigos e apoio dos sacerdotes

Neste sentido, destaca: “A vinculação com os leigos e o apoio dos irmãos sacerdotes me parecem indispensáveis para nos mantermos em uma esperança firme e evitar que o ministério empreenda uma corrida perpétua na busca de consolos que nos desviam da missão que a Igreja nos confiou. A esperança cristã se nutre da oração. Esta é a confiança na presença de Deus, que utiliza nossos talentos, mas também nossas fragilidades. A esperança é um dom e uma responsabilidade – acrescenta. Para o sacerdote, esta consiste também em levá-la a quem a perdeu; esta é, em definitivo, certeza de que, através dos combates, o Ressuscitado se encontra no final do caminho”.

D. Dominique Rey
Bispo de Fréjus-Toulon

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