sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Sacerdotes, ministros da Palavra de Deus





Sacerdotes, ministros da Palavra de Deus


O curso de aprofundamento teológico e pastoral do clero da Arquidiocese de São Paulo, nos dias 3 a 6 de agosto em Itaici, tem o mesmo tema da 12ª. Assembléia do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2008: “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”. O assessor do curso é o Pe. Johan Konings, jesuíta de B.Horizonte, doutor em Teologia e professor em Sagrada Escritura, que também foi perito no Sínodo. A importância do assunto tratado fica ainda mais destacada no contexto do Ano Sacerdotal, que estamos vivendo. De fato, o serviço à Palavra de Deus é um dos aspectos fundamentais, senão o principal, da vida e do ministério dos sacerdotes.

De fato, repassando os ritos das Ordenações, salta aos olhos a importância que a Igreja dá ao ministério da Palavra conferido ao diácono, ao padre e ao bispo pelo sacramento da Ordem. Já na instituição dos Leitores, estes são lembrados que lhes é dada a missão especial de “proclamadores da Palavra de Deus” no meio do povo de Deus; eles são “delegados para o serviço da fé, que se fundamenta na Palavra de Deus”, de modo que, com a ajuda deles, todos “possam chegar ao pleno conhecimento de Deus e alcançar a vida eterna”.

E não deverão anunciar a Palavra apenas aos outros: eles próprios também devem ser dóceis ao Espírito Santo, acolhendo-a de coração aberto, meditando-a assiduamente, para amar cada vez mais esta “Palavra da salvação”. Na oração que segue à Exortação, pede-se a Deus que o Leitor “possa impregnar-se dela e anunciá-la fielmente aos irmãos”. Finalmente, ao receber das mãos do bispo o livro da Sagrada Escritura, o novo Leitor recebe este belo encargo: “transmite com fidelidade a Palavra de Deus, para que ela frutifique cada vez mais no coração das pessoas”.

Na ordenação dos Diáconos aparece claramente a relação do diaconato com o ministério da Palavra. Eles deverão “ajudar o Bispo e seu presbitério no serviço da Palavra, do altar e da caridade”. Eles não deverão se deixar abalar na sua confiança no Evangelho, “do qual sois, não somente ouvintes, mas também servidores”. E o gesto da entrega do livro dos Evangelhos é acompanhado por estas palavras envolventes: “Recebe o Evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres, ensina o que creres e procura realizar o que ensinares”.

E na ordenação presbiteral a vinculação do ministério dos Presbíteros com a Palavra de Deus aparece ainda mais destacada. O sacerdote deverá “servir ao Cristo Mestre, Sacerdote e Pastor” que, por seu ministério, “edifica e faz crescer o seu Corpo, que é a Igreja”. Por isso, no Cristo Mestre, ele deverá cumprir a sua função de ensinar o povo de Deus: “Transmite a todos a Palavra de Deus que recebeste com alegria; meditando na lei do Senhor, procura crer no que leres, ensinar o que creres, praticar o que ensinares”. A pregação do padre deverá ser “alimento para o povo de Deus e a sua vida, um estímulo para os fiéis, de maneira que a casa de Deus, isto é, a Igreja, seja edificada pela palavra e pelo exemplo”.

Na manifestação dos seus propósitos diante do Bispo e do povo de Deus, o ordenando se compromete a “desempenhar com dignidade e sabedoria o ministério da Palavra, proclamando o Evangelho e ensinando a fé católica”. Na prece de Ordenação, o Bispo pede a Deus que, pela pregação do novo Padre, “as palavras do Evangelho, caindo nos corações humanos, possam dar muitos frutos e chegar aos confins da terra”.

Finalmente, na ordenação episcopal, a vinculação do ministério do Bispo com a Palavra de Deus aparece de maneira ainda mais clara e expressiva: “pelo ministério do Bispo, Cristo continua a proclamar o Evangelho”. Para dar a entender bem que o Bispo recebe o encargo de “testemunhar a verdade do Evangelho”, durante a Prece de Ordenação, o livro dos Evangelhos é colocado, aberto, sobre a cabeça do novo Bispo; ele fica todo inteiro “debaixo”, quer dizer, a serviço, da Palavra de Deus; poderíamos dizer que ela passa a “morar” na Palavra de Deus. Finalmente, após a unção da cabeça com o óleo santo do Crisma, o livro dos Evangelhos é entregue ao novo Bispo: “Recebe o Evangelho e anuncia a Palavra de Deus com toda a constância e desejo de ensinar”.


Cardeal D.Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, 4/8/09

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